Quem Somos

Técnicas de Pilotagem

Capítulo 2 - Mudanças de Raio
< Anterior

Os desenhistas mudam o raio das curvas para colocar uma reviravolta adicional na ação. Aqui estão os tipos básicos de raio e como lidar com eles na pista.

Curva de raio constante: uma curva de raio constante não aumenta (alarga) nem diminui (aperta) na medida que você a percorre. Como foi mencionado acima, se tratamos de uma longa curva de raio constante sem mudanças de inclinação, você irá eventualmente se deslocar para a parte interna da curva por quase toda ela. Se for uma pequena curva fechada, você pode ter outras opções como planejar a entrada e a saída. Em uma curva fechada realmente estreita você deve fazer uma mudança abrupta de direção - ela deve ser feita no ponto em você se sentir mais confiante. Não existe nenhuma regra de como isso deve ser feito.

Se uma curva de raio constante apresenta mudança de inclinação ela pode agir como uma curva de raio decrescente (DR - decresing radius) ou de raio crescente (IR - incresing radius). Por exemplo, se a curva é inclinada na entrada e se torna plana na saída, ela terá exatamente o mesmo efeito sobre a motocicleta que uma curva de raio decrescente. Se a curva for plana na entrada e inclinada na saída, ela funciona como uma curva de raio crescente. É muito comum para amadores - e mesmo profissionais - percorrer as curvas da maneira que elas parecem em velocidade e não de como elas realmente são. É muito fácil ter a atenção retida pelo raio da curva de maneira que você não veja as mudanças de inclinação. Além disso, conhecer a localização das mudanças de inclinação irá ajudá-lo muito numa curva.

Curvas de raio decrescente: esta é a curva que aperta na medida que você a percorre. Em uma curva de raio decrescente, o desenhista tenta confundi-lo tratando-a como uma curva de raio constante e ápice único. Se você cair nesse truque deve fazer uma destas três coisas: 1) Faça um percurso largo na saída, 2) Incline mais a motocicleta no final da curva, ou 3) Desacelere de modo que o número 1 ou número 2 acima não aconteçam.

Uma curva de raio decrescente tem, no mínimo, dois ápices. Tente trapacear a curva em um ápice e ela terá revanche no outro. Em uma curva do tipo DR você deve percorrer o que está lá: não tente transformar a curva em algo que ela não é. Informações falsas têm sido circuladas por anos como dizer que você adia o ápice em curvas DR. Isto pode ser verdade em curvas DR muito estreitas, mas em uma curva mais larga você deve dobrar o ápice dela.

Você pode tornar a curva mais longa pegando uma larga linha de entrada. Isso mantém a velocidade alta e acaba com a brutalidade da verdadeira mudança na direção. Uma curva DR que é plana na entrada e inclinada na saída funcionará como uma curva DR ou CR (constante radius ou raio constante) dependendo da intensidade da inclinação. Se uma curva te força a ir mais devagar em determinado ponto, você deve decidir aonde ir mais devagar ao invés de deixar que o desenhista faça isso por você. Entendendo a curva corretamente, você dirige a curva - a curva não dirige você. Se cometer um erro de linha, você provavelmente será levado a percorrer a curva da maneira que ela parece ser e não da maneira que ela realmente é.

Curvas de raio crescente: esta curva alarga - seu ângulo se torna menos severo - na medida que você a percorre. Uma curva IR te dá o maior sentimento de segurança porque você tem espaço no final para fazer mudanças e correções. Você pode se recuperar rapidamente de uma entrada muito rápida em uma curva IR porque você tem espaço de sobra. Uma curva IR pode ser dramaticamente mudada pela inclinação da pista assim como uma curva DR pode ser. Se for inclinada positivamente na entrada e plana ou negativamente inclinada na saída, ela funcionará como uma curva DR ou CR dependendo do quanto de inclinação negativa que ela tem. O raio da curva é freqüentemente o segundo em importância para sua inclinação.

Séries de curvas: duas ou mais curvas ligadas de modo a influenciar umas as outras são chamadas séries de curvas. Elas são freqüentemente usadas para te retardar num trecho que você poderia ir mais rápido. Por exemplo: a entrada em uma curva dupla em "s" é mais rápida que a saída. Se a entrada for feita o mais rápido possível, a saída será prejudicada. Se a aproximação da entrada for feita com a saída em mente, o motociclista irá sacrificar um pouco da velocidade para conseguir uma saída mais constante da curva. Na maioria das vezes, isso é uma estratégia melhor do que desacelerar e se preparar de novo para fazer a saída. Distrai fazer este tipo de mudança na segunda curva da série. Kenny Roberts tem sempre dito que você deve ir devagar em alguns lugares pra ir rápido em outros - o "devagar" dele obviamente levaria a maioria de nós a um ataque cardíaco. Aqui, novamente, os desenhistas tentam nos confundir colocando ação muito cedo ou muito tarde. Em algumas chicanes de alta velocidade, ser cauteloso na entrada e planejar uma saída suave valoriza cada segundo da volta. Chicanes como aquelas em Ponoco, Daytona e Sears Point são bons exemplos.

Subidas, descidas e curvas com topo: quando sofre mudança de elevação, uma curva pode criar transformações interessantes em como ela deve ser percorrida. Trechos de subida e de descida em uma pista não causam nenhum problema em especial a não ser que apareçam em conjunto com uma esperta mudança de inclinação ou de raio ou mesmo as duas. As dificuldades em trechos de subida e de descida geralmente aumentam quando existe uma crista ou elevação íngreme seguida de uma descida. Neste ponto a motocicleta irá parecer leve e estará realmente leve sobre o pavimento. Frear no topo da subida é esperto porque a pressão da descida na moto é diminuída. Isso resulta em menos tração.

Além disso, uma curva com um topo no meio é difícil porque a moto tende a ficar em pé e ir para a parte externa. De novo, há uma perda de tração. É o mesmo efeito de um trecho de inclinação negativa. É melhor passar por uma parte elevada o mais verticalmente possível.

Em uma subida onde você tem que frear existe a vantagem de você poder parar ou retardar a motocicleta mais rápido do que em uma descida ou numa parte plana. Se a subida onde você está freando tem uma elevação de 15 graus, a forca da gravidade puxando você para trás e para baixo te dá um fator de parada 27 por cento melhor. Você pode usar os freios 27 por cento mais forte sem trava-los e isso é muita coisa! Nas descidas a situação é inversa; os freios travam mais facilmente. O outro problema com subidas, descidas e trechos com forte elevação é que as motocicletas tendem a levantar a roda dianteira. Isso não é um problema a menos que você tenha que fazer uma curva enquanto a roda ainda estiver no ar.

Retas: estas são porções retas de pista sem quaisquer curvas ou mudanças que te afetem. As retas são ótimos lugares para relaxar por um segundo ou dois. Cheque se você está respirando regularmente. Os motociclistas freqüentemente seguram a respiração durante longos percursos diminuindo seu eficiência. A falta de oxigênio é uma das causas das câimbras musculares quando se está dirigindo.

A pista que você percorre, seja ela pública ou de corrida, é feita de cinco componentes: inclinação, raio, elevação, séries de curvas e retas. A maneira como estes componentes são combinados determinam sua aproximação para percorre-los, não apenas quando se considera a velocidade, mas pelo bem da segurança. O propósito de uma pista de corrida é testar e retestar a habilidade de direção; os desenhistas querem que elas sejam difíceis. Sua missão é descobrir os mistérios da construção usando o conhecimento em sua vantagem. Nem mesmo toda bravura substituirá o entendimento, nem qualquer ajuste de suspensão irá superar completamente as forças destes cinco componentes.


Continua...

 
design by MICROFLEX