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Primeiro passeio de Motociclismo, realizado pelo MOTO CLUBE UNIMED RS - ARAUTOS DE ROCHDALE - MOTOCLUNERS, em 18 de março de 2005.

Veja as fotos...

Dos 31 membros inscritos até esta data, oito foram os participantes, a saber: Aristeu, Barison, Beatriz, Brandt, Cloer, Carlos, Lumertz, Pilla. Saída da UNIMED/RS, em Porto Alegre, com o hodômetro zerado destino a Ijuí, às 12 horas do dia 18 de março, aqueles componentes que moram em Porto Alegre mais o Pilla, para encontrar o Cloer e Brandt no trevo para Montenegro, já na Tabaí-Canoas, BR 386.

Abastecemos as motos no Posto Laçador, e iniciamos nosso passeio pela BR 116, até o acesso da Tabaí-Canoas, e seguimos por ela, sem percalços e às 13 horas encontramos os companheiros que saíram de Montenegro, no lugar combinado. Seguimos, então, até Lajeado. Reabastecemos em Marques de Souza e com tanque cheio, subimos a serra até o Km 196, próximo a Soledade, onde paramos para um lanche. Não podemos esquecer a Sra. Daniela, esposa do Cloer, que seguia o grupo com o seu Scenic, carregando as bagagens do pessoal. Com ela estavam a Margareth e a Deyse, esposas do Pilla e do Brandt respectivamente.

A subida da serra foi bem conduzida, com o Cloer puxando o Grupo com sua potente Marauder 800 cm3. As motos seguiam uma atrás da outra, parecendo um cordão vivo cortando o asfalto, que num sincronismo de ballet, ultrapassavam os cargueiros.

Pouco antes de chegar a Soledade, tomamos o acesso a Espumoso. Asfalto novo, pouco tráfego, foi brincadeira vencermos os 42 Km até Espumoso e o entroncamento com a RS 223, em Tapera. O dia era lindo, céu claro, sol a pino. A paisagem dos campos cobertos com soja, ainda mostrava os estragos da estiagem na plantação. Mesmo assim, podíamos contemplar a beleza do planalto central.

Não havia pedaço de chão que não tivesse sido transformado em lavoura. Seguimos, então, pela RS 223 até a BR 377, em Cruz Alta. Entramos na cidade, cortamos as ruas centrais, paramos nos semáforos, dobramos esquinas, tudo que se faz no trânsito urbano com o qual já estávamos desacostumados.

Retornamos à RS, com destino a Ijuí. Faltavam 35 Km para o final desta etapa, e já passavam das 17 horas. Chegamos em Ijuí, onde paramos na praça central para uma foto do conjunto. O relógio marcava 18 horas e 30 minutos. Não demorou muito, os amantes locais do motociclismo foram chegando com suas máquinas para saber quem eram aqueles estranhos que, de forma tão organizada, acabaram de chegar. Realmente, o espírito congrega. Trocadas informações, seguimos até os hotéis para, sem delongas, nos prepararmos para a festa, pois estava marcada a inauguração do Hospital da UNIMED Ijuí. E que Hospital! Que obra magnífica vimos e ficamos impressionados com a praticidade e o bom gosto, aliados ao padrão de qualidade dos materiais e equipamentos. Sem dúvida, será um salto na qualificação da medicina regional, beneficiando toda uma região, a região noroeste do RS. Parabéns ao presidente Ibrahim e toda a sua equipe. E a festa, que beleza! Alguns retiraram-se mais cedo, e outros, permaneceram até mais tarde. Alguns tinham compromissos pela manhã, e outros não. Pela manhã do dia seguinte, aconteceu a AGO da UNIMED/RS, que aproveitando a presença de todos os Presidentes e dirigentes das UNIMEDs do Estado, realizou sua Assembléia anual de prestação de contas. Às 14 horas em ponto, com o velocímetro marcando 497 Km, seguimos para São Miguel das Missões, para uma visita às ruínas dos “Jesuítas”, como é conhecido o local. Aquilo que foi um plano destes padres para desenvolver e educar os gentios, acabou em ruínas pela destruição impingida pelos espanhóis, que tinham interesse em manter os índios ignorantes e submissos, e poder explorá-los, bem como roubar as riquezas da terra.

Feito o reconhecimento e a visita, batemos em retirada, voltando pelo mesmo caminho até Cruz Alta, onde pernoitamos. Eram 17 horas do dia 19 de março – dia de São José. O padroeiro nos acompanhou todo o trajeto, pois nada, nenhum incidente até que, o Pilla, que puxava a ponta, viu-se obrigado a parar, buscando o acostamento. Um marimbondo entrou pela manga da jaqueta, e ferrou o braço do companheiro, com vários golpes. Mas a emoção do passeio suplantou a dor e logo o nosso guerreiro estava a postos em sua Shadow 600, equipadíssima com alforges de couro preto, pontilhados pelos rebites, combinando com a cor da moto e seus belos cromados.

Chegamos a Cruz Alta às 19 horas, e comandados pelo Cloer, estacionamos na frente da Confeitaria “ Kitutes”, da Dona Sônia, progenitora do nosso companheiro. Dona Sônia nos brindou com seus salgados e doces de um sabor divino. Só podiam ser preparados por mãos angelicais. A receptividade nos comoveu a todos, mas era só o começo. A surpresa estava preparada para a noite.

Tomamos os aposentos no Hotel do Grego. Um banho providencial e o relax compensador para recarregar, pois a noite prometia. E foi. Dona Sônia nos recebeu em sua vivenda. Seu Cloer, o pai, a mana Soninha e o cunhado Alex. A família reunida tinha preparado um churrasco à moda gaúcha, com carne da melhor qualidade, escolhida a dedo numa churrasqueira que puxava bonito, assistido por quem entende do negócio, só podia dar no que deu. Não parava por aí: o churrasqueiro viria a ser nosso mais novo companheiro. Realizamos a filiação no local, e o José (primo do Cloer), recebeu a inscrição número 32, e assim ficou batizado. Era 32 para cá, 32 para lá. Certamente, no próximo passeio, será mais um participante.

E a coisa continuava: após a delícia de churrasco, regado com a cerveja na temperatura exata, branqueando o copo, veio a sobremesa. Nos dois sentidos: os doces da Dona Sônia, e o show artístico do Cloer e seus familiares. Seu pai Cloer, Dna. Sônia e a irmã Soninha são todos artistas, cantores e conhecedores do cancioneiro popular e missioneiro. E a viola do companheiro foi de arrepiar. A emoção campeou solta a noite toda. Lembro bem do “Chão de Estrelas” e do “Gurí”. Nesta última, pai e filho abraçaram-se ao cantar a estrofe “pra que digam quando eu passe – saiu igualzito ao pai”.

O Pilla, quem diria, acompanhou dando o ritmo na “cubana”, como velho conhecedor das “coisas” da noite.

Às 2 horas da madrugada, nos retiramos e fomos dormir o sono dos justos, com o coração cheio de alegria de ter convivido momentos tão bonitos no âmbito de uma família tão gentil e carinhosa.

Dia seguinte, às 9 horas e 30 minutos, recolhemos as máquinas que dormiram na garagem da casa do Sr. Cloer – fomos até a confeitaria da Dona Sônia para uma foto de despedida, e partimos para Porto Alegre, perfazendo o mesmo caminho até Lajeado. O almoço estava previsto para ser feito na lagoa da Harmonia, em Teotônia. Lá chegamos às 14 horas. Quase não tinha mais o que ingerir tal o número de pessoas que visitaram o local e almoçaram no restaurante do Lago. Não era para menos, o dia convidava para um passeio.

Aliás, os três dias foram fantásticos; o sol, o clima, a temperatura. Nenhum reparo a fazer. Após o almoço, por sinal patrocinado pelo Presidente do Motoclube, o que foi aprovado pelos participantes e, claro, sem contestações, mais uma foto à beira do lago e a descida, retornando à RS 453, com destino à Garibaldi e Carlos Barbosa. Na ponta havia revesamento ora um, ora outro. Até a Bia, com sua moto de baixa cilindrada, fez bonito. Não se acovardou diante das outras maiores. Pilotou como veterana, de forma irrepreensível. Aliás, todos fomos bons pilotos. Tocadas certas nas horas certas, e prudência, obedecendo as regras e o bom senso. Assim, dá gosto e nada deve acontecer de errado. Vencemos bem os 50 Km em subida com curvas fechadas, contornando os morros. As motos deitavam em sua dança sinuosa, rasgando o asfalto.

O trio das Falcon 400 – Aristeu, Lumertz e Carlos – de quando em vez ficavam em posição ereta, para movimentar as articulações e driblar o cansaço. O professor, no começo, andava tímido, no fim da fila, transformou-se na volta em arrojado piloto, girando a manopla direita e distanciando-se na ponta.

O Carlos, sempre na frente, gosta de acelerar fundo. Sua Falcon com ponteira “cadron” solta um berro rouco, característico deste escape.

O mestre Aristeu, experiente piloto das duas rodas, tirou de vez o lacre de sua Falcon. Acelerava rápido em breves estocadas, e logo aliviava para retomar sua posição no meio do pelotão.

O Cloer autêntico puxador, pujante na sua Marauder 800, manteve sempre o mesmo tranco, como manda o figurino.

Brandt na CBX 750F – Hollywood – impressionava pela agilidade da moto e o ronco impressionante do motor. Um veterano que nunca exigiu toda a potência de sua máquina. Sabia que, se precisasse, tinha cavalaria de sobra.

A Bia – a pequena guerreira, não se acovardou diante das grandes, e com sua 125, mostrou toda sua habilidade e segurança na estrada.

O Pilla com a mais vistosa das motos, gosta de acelerar e andar na frente. Tanto que, passou reto no trevo de Ijuí, indo para Panambi enquanto abastecíamos. O Brandt saiu atrás, e trouxe a ovelha desgarrada.

De mim digo apenas que degustei o prazer da viagem e com intensidade vivi as emoções experimentadas no lombo da Virago 535.

Em Carlos Barbosa, entramos na RS 446 até a RS 240, com destino à Porto Alegre, passando por São Sebastião do Caí, Portão, Vila Scharlau, São Leopoldo e Porto Alegre.

Em Portão nos despedimos. Foi a última parada.

Cloer iria para Montenegro, Brandt e Pilla para Novo Hamburgo. Uma última foto, e os abraços depois de uma jornada em que tudo deu certo. O corpo estava cansado, mas a alma exultante de alegria. Se as motos falassem, certamente diriam que estava com a razão.

Aos que não puderam ir, podemos dizer que perderam um grande passeio, mas que certamente outros acontecerão: só que, como no amor, o primeiro é que marca.

Os demais (Aristeu, Barison, Carlos, Bia e Lumertz) retornaram até Porto Alegre, vencendo os últimos 40 Km com naturalidade e às 17 horas e 45 minutos estacionamos na frente da UNIMED/RS. O hodômetro marcava 1040 Km rodados.

Nossos agradecimentos a todos que participaram, mas em especial ao Cloer, Dona Sônia, Sr. Cloer – o pai, a mana Soninha, o cunhado Alex e aos primos José e esposa.

Às esposas companheiras Daniela (Cloer), Margareth (Pilla) e Deyse (Brandt), nosso carinho pela amizade e companheirismo.

Autor: Barison

 


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