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Passeio de 22.02.2008
Região Serrana SC - Urubici
Veja as fotos..
Enfim saiu a tão almejada viagem à serra catarinense descendo a Serra do Rio do Rastro. A vontade vem de longa data. Já tínhamos transferido três vezes este passeio. Na 3ª feira, dia 19 de fevereiro, conversamos Aristeu, Lumertz e eu, sobre a possibilidade de saída 6ª feira, dia 22. Faríamos todo o percurso com o bom tempo que se anunciava. A idéia amadureceu, e na 5ª feira, dia da RDE da Federação, convidamos o Pilla e o Renato para sentir a força destes dois companheiros. Precisávamos de um empurrãozinho. Esperávamos que o Cloer também estivesse presente na reunião e o consultaríamos. Ele não foi. O Carlos estava de férias. Assim, com a desistência do Pilla e do Renato, loucos de vontade de ir nessa, mas impedidos por motivos particulares, lançamos o convite geral no site. O Anele não foi encontrado. Soubemos depois que estava gozando férias. Recebemos após a confirmação do Auri, a Vera deixou o maridinho ir só. Ela tinha trabalho e não poderia acompanhá-lo, mas não foi fácil esta liberação. Certamente o Auri fez mil promessas que jamais cumprirá.
Os amigos da Uniair estavam de plantão, e não seria possível contar com eles. Enfim, o grupo formou-se com quatro guerrilheiros: Aristeu, Lumertz, Auri e Barison. Duas Falcon e duas Custom. Aristeu e Lumertz com as trails, Auri e sua Yamaha Drag Star 650cc e o velho Barisa com a Honda Magna 750cc. Velho uma ova. Digamos de maior idade entre os quatro. Este detalhe não se percebe. Marcamos a saída para 6ª feira às 14h30min. Encontro no Posto Ipiranga, do Laçador. A surpresa aconteceu. Adivinhem quem surgiu no Posto do Laçador para assistir a saída? O Anele. Louco de vontade, não agüentou e foi até lá só para ver e nos desejar Boa Sorte. Não pode ir nesta, mas outra ele não perderá, na certa. Acabamos partindo já passava das 15 horas. Lumertz e Aristeu se atrasaram um pouco. Tanques cheios, odômetros zerados, lá fomos nós. A saída de Porto Alegre foi tranqüila, o movimento ainda não estava grande neste horário e chegamos rapidamente na Scharlau, pela 116. Subimos a Serra pala São Vendelino com pouco tráfego, chegando no topo, pouco antes de Farroupilha, mais precisamente no posto da Polícia Federal às 16h10min, ou seja, uma hora de estrada. Tempo muito bom. Ao lado há um posto. Paramos para tirar a água do joelho, abastecer e espichar as canelas. Duas, três fotos e lá seguimos, passando por fora de Caxias do Sul até a saída para Flores da Cunha e Antônio Prado. Neste pequeno trecho, pegamos tráfego pesado. Muitos cargueiros. Devagar e sempre, fomos vencendo os quilômetros, descendo a Serra do Rio das Antas, passando pela ponte do passo do Zeferino. Era assim chamado quando a travessia ainda era feita por balsa. Subimos sem problemas, e entramos no acesso para Antônio Prado. Volta na praça e uma parada para contemplar as velhas e tombadas casas construídas no início do século passado, todas de madeira, fazendo parte do patrimônio histórico. Recordei meu tempo de gurizote, pois lá morei por 5 anos, cursando o ginásio. A velha casa, dos avós, estava lá, transformada em museu da cidade. Sentamos no Banco da praça onde se via o relógio da Igreja marcando 19h30min, quando na verdade eram 18h30min. Os gringos ainda não tiveram tempo para sair do horário de verão. Montando nas máquinas, lá fomos nós com destino à Vacaria, pela RS 122 (Sinval Guazelli). O pedacinho bom para curtir. Temperatura agradável, fim de tarde e um por do sol maravilhoso visto pelo retrovior. Asfalto conservado, as motos venciam as curvas sem esforço, mantendo a velocidade praticamente constante. Já tínhamos percorrido 185 km até Antônio Prado (116 até Farroupilha + 20 até Caxias + 49 até Antônio Prado). Até Vacaria seriam outros 63 km. 45 até encontrar a BR 116 e depois, mais 18 até Vacaria. Chegamos já era noite, 20 horas aproximadamente. Direto para o hotel São Bernardo, localizado ao lado da BR 116. Motos na garagem, mochilas nos quartos. Era hora de abastecer o cadáver. Encontramos próximo dalí um restaurante de beira de estrada, simples, mas servindo boa comida. Bife na chapa, batatinha frita, ovos fritos, arroz, salada de rúcula com bacon, polentinha frita e queijo derretido. Comemos além da conta. Cerveja só sem álcool. Até que desceu redondo, mas não era Skol. Satisfeitos com baixo custo, fomos aos aposentos duplos e simples, mas com boas camas e banho quente – não precisava mais nada. Penso que nem ligamos a TV. Caímos duros. Ingerimos antes um comprimido de Tylenol para amenizar alguma dorzinha. Afinal, tínhamos rodado 250 km. Após um gostoso banho, dormimos o sono dos justos.
Pulamos do berço acredito que eram 6h30min da matina. Dia bonito. A temperatura agradável, lá pelos 18ºC. Retiramos nossas queridinhas da garagem, reabastecemos e partimos às 8 horas, após o bom café servido no hotel. Tínhamos chão pela frente e não perdemos tempo. Rapidamente deixamos os campos gaúchos e atingimos a divisa com Santa Catarina. O tráfego já mais intenso. Este trecho até Lages é bem rodado. Tanto por veículos leves como caminhões pesados. A paisagem, como se sabe, é de campanha. Atravessamos o pelotas e a chegada em Lages foi mais demorada. O asfalto já mostra sinais do castigo imposto, sem contudo, haver panelas que dificultassem nossos cavalos de aço. Eram 10h30min quando, reabastecidos os tanques, partimos para São Joaquim. Seriam mais 80 km até lá. Calculamos bem. Antes do meio-dia deveríamos chegar, e assim aconteceu. A estrada não é muito movimentada. Dava para puxar bem. As vezes, éramos surpreendidos por curvas mais fechadas. Numa delas saí fora, passei do acostamento, abri demais, entrei mal e fui parar no mato. Uma rápida olhadela no retrovisor para ver se a bagagem estava bem foi suficiente para perder o tempo certo de deitar a grandona. Mas consegui trazê-la de volta, mesmo esmagando algumas macegas. O Lumertz, que vinha atrás, deve ter se apavorado. Soube depois que ele comentou com o Aristeu: será que o “velho” tá bem? “velho” no bom sentido, é claro. A moral a gente já sabe: não pode se distrair com nada. Toda a atenção é exigida e em tempo integral. Dito e feito, às 11h30min, já circulávamos pelas ruas da cidade. A temperatura já tinha caído mas não dava para dizer que estava frio. Penso que os termômetros marcavam 15, 16ºC. Como comentário, lembramos as várias plantações de macieiras e videiras. Principalmente as primeiras, em grande número ao longo da estrada.
Depois do reconhecimento e das fotos, fomos procurar um bom restaurante. E não é que encontramos. Na sorte, mas acertamos em cheio. Na saída para Urubici descobrimos o Restaurante “Pequeno Bosque”. Serviço bom, atendimento excelente. A simpatia do gordo nos cativou. Meio dono, meio garçom, nos encheu de gentilezas. Ainda se come bem por pouco, muito pouco, pouco mesmo. Enchemos o bucho do bom e do melhor pagando não mais que R$ 15,00 per capita.
Após a foto de despedida com o “gordo”, partimos para a última etapa até Urubici. Começaram os primeiros pingos de chuva. Eram 60, 65 km pela frente. Lá fomos nós. Aos poucos, os pingos engrossaram e todos ficamos molhados. Não foi chuva forte, mas o suficiente para atrapalhar. Foi preciso diminuir a velocidade, justamente num trecho do altiplano onde o asfalto é bom, muitas curvas e pouco tráfego, ou seja, ideal para andar de moto. Mesmo assim, chegamos a Urubici antes das 16 horas.
Pretendíamos ainda nesta tarde, visitar o morro da Igreja, a Pedra Furada. Isto tudo fica no ponto mais alto da região sul do Brasil. São 1.800 metros de altitude. Isto tudo fica, com um tempo destes, encoberto pelo nevoeiro e nada se pode ver a não ser o cinza esbranquiçado das nuvens. Restou-nos procurar um local para passar a noite e aguardar o dia seguinte para ver se o tempo melhorando, permitiria que contemplássemos as maravilhas do lugar. Não é que encontramos a “Pousada das Flores”. Disse o Auri que flores eram as garotas da recepção, que nos receberam com aquele sorriso puro. A menor chama-se Bárbara, que é neta da dona da pousada. Bem desembaraçada, ela foi nos mostrando os diferentes aposentos. Tudo bem ajeitado, cheiro de limpeza no ar e calor humano com delicadeza no trato com os hóspedes visitantes. Acabamos optando por um quarto que acomodava todo grupo. Quatro camas separadas e encostadas na parede. Pra todos efeitos, é melhor não vacilar.
A outra, uma loirinha chamada Ningrid, deu o que falar. O Auri parecia um adolescente. Não queria sair da portaria. Só foi embora quando a moça perguntou: Oh tio, não esqueça de preencher a ficha, tá? Largamos as possantes na garagem. Pareciam não terem sentido a viagem. Engoliram 500 km como se fossem 50. Eta coisa boa. Um bom banho, troca de roupa e um relax na sala da pousada, com direito a torta que chamada de “toucinho do céu” – uma delícia.
Preparados para a noite, jantamos no Bar do Zeca. Local simples, mas bem freqüentado. Comemos a melhor truta do planeta. Verdadeiro manjar dos deuses. Uma maravilha da gastronomia, e o Auri queria comer pizza!!!!
Satisfeitos, voltamos para mais uma noite bem dormida. Ninguém reclamou, mas quando um parava de roncar, o outro começava. Foi uma verdadeira sinfonia. Parecia um banhado cheio de sapos. O que o cansaço é capaz de fazer. Em compensação, a ALMA estava flutuando nas nuvens. Dava para sentir a felicidade que tomou conta do coração destes mortais.
Eram 6h30min do domingo, e já tinha gente acordada. Depois do banho, a indumentária estradeira foi enfiada no corpo. O desjejum foi bem apreciado e logo estávamos prontos para fazer roncar os motores e pegar a estrada novamente. O teto estava baixo, não adiantava subir a montanha, então, resolvemos retornar. Algumas fotos e pé na estrada. Não chovia. Neste retorno, deu para degustar cada km. Surfamos no asfalto. Uma curva, depois outra. Uma para a direita, outra para a esquerda. Era uma dança, um verdadeiro “ballet”. Este balanço sinuoso nos encheu de alegria. Pena que acabou. Logo vencemos a distância de 70 km e chegamos a Bom Jardim da Serra, no topo da estrada escavada na encosta da rocha. Outra beleza da engenharia que estava ali para ser vista e curtida. Para ficar gravada na nossa lembrança. Havia nevoeiro no início da descida. Logo transpusemos as primeiras camadas do nevoeiro e como se uma cortina de fumaça dissipasse, começamos a enxergar a estrada cortada no meio da rocha. Lentamente descemos a encosta. Encontramos alguns veículos e até caminhões, que subiam, vencendo os topes em ângulos agudos. Era de botar medo. Algumas paradas para fotografar a natureza. Muitas motos, geralmente de baixa cilindrada circulavam, ora subindo, ora descendo, todos com as suas belas caronas. Afinal, era domingo e os casais de namorados passeavam indo e vindo. Realmente, um belo programa. Em 10 km, descemos mais de mil metros, chegando ao nível do mar. No pé da serra, encontramos a cidade de Lauro Müller e logo após, Orleães. Passando pro Urussanga e Cocal, chegamos a Criciúma e logo estávamos na BR 101. Alguns km mais, paramos para almoçar numa destas churrascarias de beira de estrada. A carne não era lá estas coisas. Exigiu muito das nossas mandíbulas, mas com fome, qualquer sacrifício é válido. Feito o sacrifício, voltamos à BR 101 no seu pior trecho. Tráfego pesado, intenso e até, perigoso. É preciso muita atenção para não cometer falhas que podem custar caro. É um verdadeiro teste de paciência, prudência e habilidade. Tudo certo, chegamos a Araranguá, depois Sombrio e Torres. Estávamos de volta aos pagos. Isto merecia ser comemorado. Não houve dúvidas. Abastecemos e paramos na tenda do Pelé, na Estrada do Mar. Cerveja sem álcool, suco de cana, queijo e salame, uma mistura prá ninguém botar defeito. Até que o movimento não estava intenso. Esperávamos mais tráfego por ser domingo à tarde.
Mantendo 80 km por hora, vencemos a distância e logo estávamos no acesso a Capão da Canoa, onde nosso guerreiro da Yamaha separou-se do grupo, e foi encontrar a Dna. Vera e matar as saudades. Mais além na entrada para Imbé, Barison e Aristeu despediram-se do professor, que continuou até Porto Alegre. Eram mais 120 km para chegar em casa. Resolvemos, nós dois, dormir em Imbé e ir para Porto Alegre na segunda pela manhã. Depois de nos acomodarmos, fomos jantar um linguado ao molho de camarão, na barra do rio Tramandaí. Estava agradável. Uma brisa soprava, enquanto devoramos o peixe bem preparado, regado com aquela cervejinha sem álcool, bem ao gosto. Relembramos todos os momentos da jornada. Estávamos felizes. Afinal tudo dera tão certinho, sem qualquer senão, melhor que a encomenda. Dizem que assim, sem grandes preparos e planejamentos é mais gostoso. Não sei, mas podemos afirmar que tudo parecia ter sido preparado com detalhes há muito tempo.
Dormimos ao embalo do som dos motores de nossas máquinas como se fossem instrumentos musicais.
Segunda-feira, às 9h15min, ultrapassamos o portão de ferro da garagem da Federação, estacionamos as motos, e fomos para casa. Sentimos pela ausência dos companheiros que não conseguiram nos acompanhar nesta jornada, que marcou por tudo e ficou registrada em nossas memórias. Pilotamos 1000 km. FOI UMA BELA EMPREITADA.
“AGRADECEMOS AO REI DO UNIVERSO POR NOS TER PERMITIDO VEVER MAIS ESTA EXPERIÊNCIA, QUE ENCHEU NOSSOS CORAÇÕES DE ALEGRIA E EMOÇÃO”.
Motocluners, 22,23 e 24 de fevereiro de 2008.
Aristeu, Auri, Barison e Lumertz.
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